terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Crônicas de Arendeth: Páginas Perdidas I

Lua de Outono, Dia I, Castelo Paladino.
"Volto mais uma vez do povoado... estou horrorizada. Camponeses não são páreos para aquele Troll. Embora não o tenha visto, apenas observar alguns instantes o local por onde ele espreitou me torna inquieta. Mãe, será este um mal tão grande? Olhe por nosso povo.

Hoje juntamente com um batalhão de meu pai pude tratar alguns feridos, mas nem a Luz de nossa pureza pode fazer muita coisa por aquelas pessoas. Estraçalhados, mutilados... Segundo o reporte dos homens, ele é branco como a neve, mas não possui beleza. Seu simples odor deixa os animais horrorizados. Será o cheiro de toda a ruindade que habita uma fera selvagem? Será o simples cheiro da morte? Não sei. Só sei do que aquele animal é capaz. Dizimou hoje a terceira fazenda em apenas 5 luas. Perdi a conta dos homens que sucumbiram, entre camponeses, cavaleiros e escudeiros. Conforme me confidenciou um soldado em seu leito de morte, o animal é muito veloz e os recebeu a pedras gigantes. Flechas só o enfurecem mais e não conseguem chegar perto para as armas de combate. Em uma única noite alimentou-se de grande quantidade de ovelhas como se fossem apenas pães-de-pedra. 

O certo é que o povo sucumbe, camponeses estão agora abandonando as fazendas da região e pedindo guarida no castelo. Não podemos abrigar todos, embora eu insista para papai que seja fornecido abrigo para todos o quando for possível. Ele apenas me diz que faz o que pode, e que eu devo o mesmo. Mas não estou convencida. quero poder ajudar mais. Mãe, onde está sua luz, agora? Dê-me clarividência neste momento escuro. Passo mais tempo entre as pessoas da cidade, acalmando e curando quem posso do que aqui entre as muralhas do castelo. O povo está infeliz, e meu pai infelizmente não vê isso.

Embora eu insista muito para ir ajudar em uma emboscada, meu pai apenas me diz pra manter a fé, que ele está agindo. Confiarei nele... e que a luz esteja em nós! Amanhã mais uma vez irei á reunião do conselho, e tentarei mais uma vez que enviemos todo o nosso poderio contra a fera! Farei com que me escutem."

Lua de Outono, Dia II, Castelo Paladino.
"Mais uma vez não fui ouvida. Apenas comandantes e generais tiveram a voz de opinião. Fui tratada como uma garotinha, mais uma vez. Mas minha fé é maior que isso e não me deixo abater. Fala-se de abrigar os fazendeiros que quiserem abandonar suas terras para virem até a cidade. Novos batalhões foram direcionados para pontos estratégicos de defesa, mas é muito pouco provável que a criatura venha até aqui. Provavelmente irá se banquetear o quanto puder e depois irá partir. Mas então? Quem vingará nossos mortos? Serão todas estas vidas em vão? Quantas pessoas mais matará esta fera? 

O conselho decidiu aguardar mais duas luas, até a chegada de mercenários contratados, onde um possui o nome conhecido nestas terras. Um andarilho, místico, homem de poucas palavras mas de muito conhecimento. O povo da floresta o chama de Niquë, ou O branco. Não imagino o porque, mas meu coração traz a fé neste nome. Seus companheiros são estranhos para mim, mas sei serem um anão e um elfo. Ainda existiria uma outra alternativa, mas nomes não foram mencionados. Me resta aguardar em vigília e rezar por meu povo. Esta noite irei a capela, pedir pela luz dos quatro. E que seja como o destino quiser..."

Lohanna, Clériga da Ordem da Rosa Norte.

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Arte: anekashu

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