quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Nasce uma sombra... Parte II

"Annya acordou-se com o crocitar de um corvo sobre a janela que batia aberta com o vento, e o frio daquela manhã com a primeira chuva do inverno. Seu corpo doía muito e sua garganta estava como se não bebesse água por dias... Sentiu então que suas mãos repuxavam, ela então olhou-as, e levantou em um pulo ao ver o sangue seco de seu pai sobre elas. Foi então que tudo voltou a sua mente como um raio e suas lágrimas foram incontroláveis.

Recompôs-se e correu para o corpo de sua mãe, mas nada podia fazer... o pior havia ocorrido a horas, e ela sabia disso. O corvo continuava a crocitar, e ela o ouviu balbuciar por duas vezes "assassina". Neste sentimento, ela então desabou mais uma vez e o animal continua com aquele crocitar, agora infernal e assustador aos ouvidos de Annya. Em seu desespero começou a gritar:
"-Xô, Vá embora, me deixe em paz..."
Mas o animal não parava. Mais uma vez crocitou 
"-Assassina"...
"-Eu não sou uma assassina, não sou..., dizia Annya em lágrimas"


Foi então que o corvo voou, e ela assustou-se. Pensou ter ouvido passos de uma pessoa que tossia fortemente aproximando-se. Olhou em sua volta, procurando os três corpos, e então percebeu... era uma assassina. havia matado sua família. Seria talvez morta por isso? Não sabia o que fazer, e o desespero retornou para seu corpo, conforme os passos se aproximavam. Assustou-se mais uma vez, quando o corvo retornou para a janela crocitando. O animal a olhava virando a cabeça, e saltitando de um lado para outro sobre o parapeito. A tosse soou mais alta e ela tremia. Mais uma vez o corvo alçou voo, e ela então naquele redemunho de pensamentos, com mais medo do que qualquer outro sentimento, correu pela janela. A chuva estava forte, e ela caiu sobre o barro. O animal estava sentado sobre uma pedra a sua frente, e haviam mais quatro com ele. Ambos levantaram voo ao olharem a garota, que levantou-se e saiu correndo com seus joelhos machucados. 

Correu como se não houvesse amanhã, correu por seu desespero, correu por sua vida! A lama pesava em seus pés, mas a chuva era tanta que ela já não sabia se estava perto ou longe de casa . Pouco tempo depois, notou uma escuridão através da sombra, como se o mundo terminasse em um penhasco. Lembrou-se então da floresta que costumava brincar com o irmão. Continuou a correr e entrou floresta a dentro, já sem folego e com o corpo imensamente dolorido. Parou por um instante ao encostar-se em um grande carvalho para ouvir se estava sendo seguida, mas apenas ouvia o crocitar dos corvos que teimavam em segui-la, pousados sobre um galho da árvore acima de sí. A tarde já estava se despedindo, e a chuva incessante já a havia encharcado até os ossos... Annya agarrou-se em seus joelhos, e assim, mais uma vez, soluçou chorando..."


Continua...!

Arte: jameszapata

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