segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A Irmandade: Parte I - O Julgamento


                                                        Arte: zzytudou

--Silêncio todos, seus animais...


*PAF* - fez a grande mão de Lorde Maximilian ao bater sobre a mesa do tribunal improvisado em um velho curtume nos arrabaldes da cidade...

Ele estava em pé e ofegante... Seus olhos estavam estalados e ele babava de fúria exibindo seus caninos grandes e amarelados pelos charutos que fumava em demasia quando nervoso. Sua camisa encharcada de suor e negra de sujeira colava-se a seu corpo, definindo ainda mais a musculatura oriunda da vida pesarosa que sempre tivera, o que aumentava ainda mais a ideia de ser monstruoso que era.
Samael largava o pescoço do jovem que estava amarrado sobre uma cadeira ao meio do salão, ajeitando seu fraque e seus cabelos, penteados para trás. Concentrava-se assim para ignorar a pulsação das veias no pescoço do rapaz, instigando seu espírito animal. Naquela época Samael já era um anarquista pensador, era um jovem, transformado na plenitude de seus 26 anos. Gostava de discussões fervorosas sobre políticas e outros conceitos complexos do mundo, e a educação sempre fora seu ponto forte. Porém após algumas noites ao lado de amigas Brujahas lhe apeteceram ganas, de bater e depois perguntar.




Aquele tribunal montado fervia. Os mais conservadores poderiam chamar loucura, ou mera ficção. Garous e vampiros lado a lado tentando debater diplomacia... A inocência vampiresca daquela época era tão falha... Tão medíocre... Porém já haviam perdido duramente a Bretanha e a Pensilvânia a custo de muitas baixas em ambos os lados para os inquisidores da nova ordem do templo, regida por um nobre qualquer, chamado de Robert de La Croix. Nova Inglaterra, contudo, não poderia ser perdida, sem interessar o preço!

Eram separados por lado... Garous do lado esquerdo e vampiros do direito. No meio havia uma grande mesa, aonde sentavam os dois membros mais antigos de cada clã. Lorde Yousellf Brandielinfs, um nobre nórdico, representante esloveno dos vampiros e lorde Maximilian Proutestinat, o garou mais antigo do clã. Maximiliam era temido por sua idade... O mais antigo de todos os antigos já havia visto maximilian em vida. Sua idade era tanta que diziam que seus pelos já eram cinza ao invés do tradicional melaço... Mas o tempo não mudou seu pensamento. -preferia garras e presas afiadas a uma palavra bem dita!-

Porém, devido a necessidade da época, concordaram em seu salão ser considerado território neutro (Apesar, claro, de haverem nas montanhas próximas a leste um exército garou e nas florestas do sul um exército vampírico, ambos prontos para bradarem espadas e garras ao menor sinal de batalha dentro do salão). Mas ambos os lados, dentro do salão preferiam fazer-se “desconhecidos deste fato” para tentar manter a neutralidade.

Lorde Maximiliam por um instante acalmou sua matilha, fazendo-os calarem-se. O Clã de Yousellf, treinados e mais acostumados com debates, apenas concentravam-se a tudo e cochichavam entre si, sem alardes como os lobos. Samael era o único que andava ao meio do salão. Era eleito mais uma vez, por seus conhecimentos jurídicos e por seus dotes “investigatícios”, aprendidos com um bom e velho amigo assamita em segredo, o Advogado de acusação.

--Que siga o Advogado de acusação... Falou calmamente Yousellf ao beber mais um gole do cálice enquanto se compunha e sentava-se Maximilian...
Samael andava em torno do jovem rapaz... Apenas seus sapatos com taco de madeira nobre eram ouvidos naquele momento. Calmamente se aproximou do rapaz e parou a sua frente.
O jovem estava encharcado de suor. Temia por sua vida, afinal era um humano...
Samael inclinou-se próximo do rapaz com suas mãos para traz...
--Então, Você segue negando ter sido visto pelos nossos informantes em uma reunião da igreja?
--S.. sim... disse o rapaz ofegante e apavorado.
--isso é uma calúnia... nu..nunca trairia a irmandade...
Samael apertou os olhos e bradou de uma maneira muito alta:
---De nihilo nihil...
Os garous entraram em fervo:
--Mas o que ele diz? 
–Está falando em códigos... 
–Mate este desgraçado... 
Samael apenas sorriu de canto de lábio olhando para os garous...
--Nada vêm do nada, meus amigos... É latim!
Voltou-se ao jovem num movimento brusco:
---E Por isso está aqui hoje! Você foi visto, admita que traiu a irmandade!
--Eu... eu... fui obrigado... Eles descobriram... Tive que fingir ser um espião...
--E de fato foi, seu alimento miserável...

Ecoou assim o tapa que Samael deu no rosto do rapaz, abrindo-lhe um talho na bochecha devido ás unhas grandes.
O Tribunal mais uma vez ferveu...
--Mate-o... Mate-o... Gritavam os garous ao passo que os filhos de Yousellf murmuravam entre sí escondendo as bocas com as mãos.
---Silêncio seus animais... gritava mais uma vez Maximilian em pé sobre a mesa, aos seus filhos...
Ele entendia que era fato, que o jovem era culpado. Havia entregado a irmandade a Nova Ordem da Igreja, mas entendia também, naquele momento, que descobrir o que houvera sido entregue era mais importante.
--Prossiga, filho de Yousellf... Disse Maximilian a Samael...
--O que você disse aos humanos?
--Eu..eu... Apenas disse que a irmandade existia... Que lobos e vampiros andavam entre nós aqui em Nova Inglaterra, senhor... Fingi ser um informante para manter minha vida...
--E o que mais você contou...? Perguntou Samael...
---Mais nada... Juro por deus! 
--Deus? Nihil sine, Dio... Falou Samael, sorrindo...

Yousellf sorriu juntamente lembrando-se desta frase “O pouco com Deus é muito, e o muito sem Deus é nada.”. De que adianta mortais apegarem-se a deus, se o próprio deus nos fez assim! Nós somos a extensão de seu Deus, mortal medíocre! Maximiliam o observava com olhos astutos, desconfiado das tais palavras em outro idioma.

E então, a baderna recomeçou com um coro de desespero... pelo menos para o jovem interrogado!
-AAAAAAaaaaaahhhh... Até esmorecer e sua cabeça cair para o lado, afogando-se no próprio sangue!
Atrás do corpo já sem vida, de pé, com a mão atravessada sobre seu peito estava Blackyard, o braço direito de Maximilian...

Todos levantaram-se frenéticos aos gritos com presas e garras apostos para a guerra!
--De que adianta ele viver mais, se já sabemos que ele nos traiu?!
Arrancou sua mão feroz, derrubando o corpo inerte ao chão atado na cadeira.
E assim garous começaram a uivar e a gritar frenéticamente, enquanto vampiros gritavam o erro que o garou havia feito e como descobririam mais informações.

Samael achou a atitude muito precipitada... Ele e Blackyard Olhavam-se nos olhos... Parados, sobre o meio do salão, ignorando as ordens que Maximilian gritava aos garous por calma. Yousellf apenas fitava a cena reflexivo e imóvel!
- Dum felis dormit saliunt mures... Proferiu enfim, Samael!
-- Enquanto dormem os gatos, agem os ratos..., besta!

"...PASSAGENS DO DIÁRIO DO VAMPIRO ANARQUISTA, LIVRO I – MEDIEVAL: “A IRMANDADE – PARTE I – O JULGAMENTO” - SOBRE A IRMANDADE DAS CRIATURAS DA NOITE PELA SOBREVIVÊNCIA – O ROMPIMENTO DA IRMANDADE E A PRIMEIRA MIGRAÇÃO DE SAMAEL...”

Notas sobre o texto: Este texto foi publicado primeiro no extinto Covil do Anarquista, e surgiu de um pedido do próprio anarquista para que eu escrevesse algumas páginas de diário, com passagens sobre a vida de um personagem. Não é muito minha área escrever sobre Vampiros e Garous, mas topei o desafio e assim surgiu esta primeira parte. Espero que tenham apreciado! Forte Abraço, Druida!

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